terça-feira, 29 de junho de 2010

Por que algumas músicas grudam na cabeça?


Mente vazia, além de ofício do Diabo, é lugar ideal para abrigar músicas grudentas

por Davi Rocha



O sujeito acorda, boceja e, sem mais nem menos, ouve um: "Bota a mão na cabeça que vai começar", vindo do seu cérebro. O tempo passa, ele escova os dentes, toma um café e: "O Rebolationtion, o rebolation/ o rebolation- tion". Já era. A música grudou. Esse fenômeno irritante, que faz com que fiquemos repetindo mentalmente músicas, é chamado de earworm ("minhoca de ouvido"), termo criado pelo professor James Kellaris, da Universidade de Cincinnati. Quando estamos desocupados ou distraídos, basta pensar rapidamente numa música para o fenômeno acontecer. O que se forma, então, é algo parecido com uma coceira cerebral. O jeito de amenizar o incômodo é repetir mentalmente a música ad infinitum.

Para descobrir isso, pesquisadores da Universidade Dartmouth, nos EUA, colocaram voluntários para ouvir música. Sem aviso, a música parava. Quando a melodia era conhecida do ouvinte, o córtex auditivo continuava trabalhando, relembrando a melodia. Quando a música era desconhecida, a mente do sujeito ficava vazia. Para ocupar esse espaço, o cérebro começava a repetir o que tinha acabado de ouvir. Estranhamente, mulheres são mais suscetíveis ao fenômeno - só não se sabe ainda por quê.

O professor Kellaris diz que qualquer canção pode entrar em looping. "Mas músicas simples, repetitivas e com mudanças inesperadas têm mais probabilidade de grudar", diz. São aquelas formadas por refrões, frases marcantes ou oscilações na voz... Isso te lembra algo? "O Rebolation é bom, bom/ O Rebolation é bom, bom, bom."
Como se livrar do chicle de ouvido
Dicas rápidas e eficientes contra essa praga

Cante tudo
Quando tentamos lembrar "como é mesmo aquela letra?", ficamos parados numa parte da música o dia inteiro. Uma solução é cantar a música inteira, para eliminar de vez o chicle.

Vire o disco
Se não pode vencê-los, junte-se a eles. Livrar-se totalmente de uma música pode ser difícil. Aí o jeito é substituir uma melodia muito irritante por alguma que vá irritá-lo um pouco menos.

Pense muito
Ocupe-se. TV não ajuda muito, já a leitura mantém o cérebro trabalhando. Por isso, se ficar com alguma música na cabeça depois desta reportagem (sei lá, qualquer uma), continue lendo...

Fonte: revista Superinteressante - contribuição de Angie S. Lago

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DEPRESSÃO PÓS-FACULDADE – DPF

Você passa quatro anos indo para o mesmo lugar todos os dias, vendo as mesmas pessoas, falando sobre o mesmo assunto, agüentando os mesmos professores chatos, idolatrando os mesmos professores ótimos, reclamando dos mesmos problemas, comendo o mesmo Salgado, bebendo no mesmo boteco fedido.
Você passa quatro anos querendo sair mais cedo da aula todos os dias contando as moedas pra tirar mais uma, das milhares, de xérox, se revoltando com a quantidade de páginas da xérox, se desesperando nas provas, quebrando a cabeça pra fazer uma pauta, deixando de dormir até mais tarde no fim de semana pra fazer o tal do trabalho, indo dormir mais tarde pra fazer o tal do trabalho.
Isso tudo, sem contar o último ano, em que todos esses fatores são multiplicados por quantas vezes você achar melhor. E lá vem a monografia, que tira seu tempo, seu sono, sua paciência, seus fins de semana, seus feriados, suas refeições bem feitas, seu namorado, suas noites bem-dormidas, sua diversão.
Mas, em compensação você ganha, entre os itens que mais se destacam, um belo par de olheiras e aversão à gráficas (incluindo as pessoas que lá trabalham) e impressoras (um grande parabéns aos que não quebraram ou não deram pelo menos um soco em alguma). Não podemos deixar de citar as brigas com o seu grupo ou com uma colega de classe e as incontáveis vezes em que você escreveu, reescreveu, editou, gravou, fotografou, deletou tudo e começou de novo.
Chega o grande dia e junto com ele, um imenso alívio. É isso. Acabou.Tchau. Bye bye. Até mais. Te vejo por aí.
Você trabalha e depois das 18h vai pra casa. No dia seguinte também. E no outro, e no outro. Alguns arrumam outras atividades pra ocupar o tempo.
Outros simplesmente vão pra casa, sentam-se no sofá e assistem TV, dormem, comem, babam na almofada sem se importar em ver o tempo passar. Mas, têm também aqueles que sentem um enorme vazio. Cadê os meus amigos pra conversar?
E os textos que eu tinha pra ler? Para onde foram professores que eu parava para trocar idéia no corredor?
Cadê tudo o que eu fazia todos os dias? Cadê as pessoas que eu convivia?
Acabou.
É, meu amigo. Está com esses sintomas? Então você está com a tal da DPF
-Depressão pós-faculdade.
Tudo aquilo que você xingou por anos, agora faz uma falta enorme aí na sua vida. Ficou um buraco. E, se você não aproveitou, esse buraco fica ainda maior.
Portanto, se durante os quatro anos você não quis comer aquele Salgado gorduroso, tomar a cerveja no boteco da esquina, comprar a trufa que sua colega vendia, fazer a pauta, escrever a matéria, gravar o programa, pegar a sonora , fotografar o fulano, diagramar o texto, estudar pra prova, pedir pro professor tirar sua falta, conversar durante a aula e tomar bronca, dar uma de nerd e responder o que o professor pergunta e muito, muuuuito mais… Perdeu.
Se você está entrando na faculdade agora, aproveite cada minuto. Xingue, mas não deixe nada passar.
Agora, se assim como eu, você fez tudo isso e com muito orgulho, curta a saudade, reencontre os amigos e professores e lembre-se que essa foi uma das melhores épocas da sua vida.
E que, da faculdade, você tire pelo menos esta lição: os momentos e as pessoas são únicos !!!
E as oportunidades também.
 
Contribuição da Tânia Patzlaff

segunda-feira, 14 de junho de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

Cachorro VELHO

Uma velha senhora foi para um safari na África e levou seu velho cão vira-lata com ela.

Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, deu-se conta de que estava perdido.

Vagando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção, com intenção de conseguir um bom almoço ...

O cachorro velho pensa:

-'Oh, oh! Estou mesmo enrascado ! Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão por perto. Em vez de apavorar-se mais ainda, o velho cão ajeita-se junto ao osso mais próximo, e começa a roê-lo, dando as costas ao predador ...

Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto: -Cara, este leopardo estava delicioso ! Será que há outros por aí ?

Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na direção das árvores.

-Caramba! pensa o leopardo, essa foi por pouco ! O velho vira-lata quase me pega!

Um macaco, numa árvore ali perto, viu toda a cena e logo imaginou como fazer bom uso do que vira: em troca de proteção para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum.. .

E assim foi, rápido, em direção ao leopardo. Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e pensa :

-Aí tem coisa!

O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o que interessa e faz um acordo com o leopardo.O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo, e diz: -'Aí, macaco! Suba nas minhas costas para você ver o que acontece com aquele cachorro abusado!'

Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção, com um macaco nas costas, e pensa:


-E agora, o que é que eu posso fazer ?

Mas, em vez de correr (sabe que suas pernas doloridas não o levariam longe...) o cachorro senta, mais uma vez dando costas aos agressores, e fazendo de conta que ainda não os viu, e quando estavam perto o bastante para ouvi-lo, o velho cão diz :

-'Cadê o filha da puta daquele macaco? Tô morrendo de fome!
Ele disse que ia trazer outro leopardo para mim e não chega nunca! '

Moral da história: não mexa com cachorro velho... idade e habilidade se sobrepõem à juventude e intriga.
Sabedoria só vem com experiência.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Como emplacar uma pauta em rádio? Diretor da BandNews dá as dicas

Izabela Vasconcelos, de São Paulo

O diretor nacional de Jornalismo da rádio BandNews FM, André Luiz Costa, explicou a assessores de imprensa reunidos em evento em São Paulo, a melhor forma de emplacar uma pauta em rádio. Costa acredita que o caminho mais eficiente é o relacionamento entre assessor e jornalista.

“O ideal é estabelecer um contato, conhecer os jornalistas, o veículo. O assessor deve levar em conta o veículo, o núcleo, a pessoa. Não existe nada que tenha mais valor do que conhecer a Redação”, explica.

Para ele, as sugestões não podem ser genéricas, nem impessoais. “Quando a pauta é muito geral, eu deleto. Hoje o que mais se vê é uma comunicação geral, não direcionada. O melhor é algo mais pessoal”.

O jornalista, responsável pela criação da BandNews, explica que o que falta a alguns assessores é saber relacionar os seus produtos/clientes, aos acontecimentos e perfil da rádio. “Se você enviar uma sugestão sobre o lançamento de um produto, cliente, será difícil virar notícia na rádio. Mas se você relacionar com os acontecimentos do dia, com o perfil na rádio ou com aquilo afeta a sociedade, então você tem boas chances”.

Costa ressalta que um principio da BandNews é ouvir a todos, sem exceções. “Nunca deixo de receber ninguém, nenhuma proposta, nenhum projeto, porque pode vir uma ideia que pode mudar a história da rádio”, afirma.

O diretor de Jornalismo participou do Papo na Redação, evento organizado pela Mega Brasil nesta quinta-feira (29/04). Costa foi mediado por Theofilo Carnier, editor-chefe do DCI.

Fonte: http://www.comunique-se.com.br/

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O país do faz de conta

(05.05.10)

Por Dionísio Birnfeld,
advogado (OAB/RS nº 48.200)

Temos ouvido, diariamente, que a propaganda eleitoral está proibida no Brasil por enquanto. Mas, comicamente, vemos políticos recorrendo a jogos de palavras e fazendo encenações para parecer que não estão fazendo propaganda.

O presidente faz piada sobre não poder apoiar abertamente aquela que até uma criança sabe que será a sua candidata; e notórios candidatos são sabatinados e entrevistados pela imprensa como se ninguém soubesse por que estão ali na telinha da tevê.

Mas, afinal, porque isso ocorre se todos nós sabemos que eles - os políticos - estão na mídia exatamente porque defendem ideias, programas e interesses públicos e, porque possuem, obviamente, candidatos de sua preferência que a população “está careca de saber” quem são?

Nesse período, os evidentes candidatos fingem que não vão concorrer e evitam determinados temas, limitando nossa possibilidade de conhecê-los melhor desde logo. Por outro lado, está na cara que todo mundo está com a campanha na rua, mas a punição aos infratores é rara. Acabamos não fazendo nada certo: nem temos a exposição ampla das idéias de quem quer nos governar, nem cumprimos à risca a regra restritiva.

Ou seja, o Brasil é um teatro no qual os políticos são os atores e o povo serve de plateia.
Afinal, a quem interessa não deixar que os candidatos se apresentem de uma vez por todas, às claras?

Por que não permitir que tenhamos o maior acesso possível à informação e desde já debatamos plataformas políticas?

Neste país do faz de conta, fingimos que a população precisa ser tutelada em tudo, como se não pudesse fazer suas próprias escolhas e formar livremente a sua opinião. Non sense total fantasiar que só a partir de uma determinada data o povo estará preparado para ouvir a verdade.

Permitam-nos ouvir o que querem nos dizer! Deixem-nos pensar com nossas próprias cabeças! Chega de tanto regramento, de tanta intromissão!

OK! Faz de conta que eu não quis dizer isso...

Achei muito interessante esse texto e compartilho da opinião do autor.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

10 coisas que as escolas não ensinam

Stephen Downes*

Lição 1. Como prever as consequências
A frase mais comum depois de um desastre é "nunca imaginei"...
O fato é que a maior parte das pessoas tem muita dificuldade em prever as consequências das suas ações e as escolas parecem jamais ter pensado em ensinar como melhorar esse aspecto. Prever as consequências é parte ciência, parte matemática. É a habilidade de criar um modelo mental de uma sequência de eventos.
O problema é que em geral a gente confunde a previsão com o desejo e aí tudo fica muito complicado. Prever é avaliar o passado, reunir informações sobre o presente e, muitas vezes, brincar de estatística para responder a perguntas do tipo: que chances eu tenho de saltar de uma altura de 3 metros e sobreviver, são e salvo?

Lição 2. Como ler corretamente
Ao contrário do que você imagina, ler bem não tem nada a ver com ler literatura. Ler tem a ver com olhar para um texto e realmente entender o que está sendo dito (isso também vale para áudio e vídeo, é claro!) e compreender o que, embora não esteja expresso, é parte integrante do texto. Ler na entrelinhas, intuir o contexto, isso é LER.

Lição 3. Como distinguir fatos e ficção
Questionar o que que está sendo dito, aquilo que você lê ou vê na TV é uma ferramenta fundamental para viver num mundo onde todo mundo tem uma opinião sobre todas as coisas e essa opinião muitas vezes é apresentada como se fosse a verdade absoluta.

Lição 4. Como criar empatia com os outros
Muita gente vive no seu próprio mundinho fechado. Nem sempre isso é um problema, mas reconhecer que existem outras criaturas que compartilham nossos espaços e caminham ao nosso lado e que essas pessoas eventualmente também estão vivendo em seus mundinhos fechados é fundamental para a sobrevivência, a sua e, quem sabe até a de todos. Isso vai impedir você de assumir que todos os outros seres são iguais a você. E, ainda mais importante, reconhecer essa presença faz desse outro uma fonte surpreendente e fértil de conhecimentos, inspirações e novas idéias.

Lição 5. Como ser criativo
Acredite, todo mundo pode ser criativo. Nossa espécie é feita para ser assim. Com um pouco de prática você pode ficar muito bom nisso. Criatividade não nasce do nada. Em geral, ela surge como resposta a algum problema. Um bom jeito de exercitar a sua criatividade é procurar problemas que precisem ser resolvidos, coisas que merecem respostas, necessidades que precisam ser satisfeitas. Escreva sobre essas coisas que você vai encontrando por aí, quem sabe num blog?

Lição 6. Como se comunicar com clareza
Comunicar-se bem é, mais do que tudo, uma questão de saber o que dizer e de dominar algumas ferramentas. A parte mais difícil disso, pode acreditar, é saber o que dizer. A regra de ouro é: gaste mais tempo assegurando-se de que entendeu exatamente o que está querendo dizer e só depois colocando as idéias no papel. Os escritores e jornalistas, em geral, pensam num esqueleto antes de sequer começar a digitar a primeira linha.

Lição 7. Como aprender
Seu cérebro consiste em bilhões de células neurais ligas umas às outras. Aprender é essencialmente arrumar essas conexões. Seu cérebro está sempre aprendendo, esteja você estudando matemática ou olhando para o céu, porque essas conexões estão sempre sendo feitas. A diferença é "como" você aprende. E aprender é uma questão de prática e de repetição. Com o tempo você vai reconhecendo padrões e aplicando esses padrões a outras e outras situações.
Na próxima aula de matemática, tente pensar que estudar qualquer matéria é estudar os arquétipos, padrões básicos, que você vai reconhecer uma vez e depois outra e mais outra... Então tente perceber esses padrões sempre, em todas as disciplinas. Qual é o padrão e não quais são os fatos é a pergunta correta. Responder a essa pergunta vai fazer você aprender de um jeito muito mais fácil.

Lição 8. Como manter-se saudável
De um ponto de vista muito prático, manter a saúde envolve dois componentes: minimizar sua exposição à doenças e a toxinas e preservar seu corpo físico. Simples não é? No entanto, muitas vezes a gente acaba esquecendo que isso é, além de uma lição um direito. Voê nunca deveria ter que se justificar ou se explicar por tentar proteger sua saúde e sua vida. É seu direito absoluto fazer isso. Nenhuma consequência vale você abrir mão desse direito.

Lição 9. Como valorizar a si mesmo
É talvez um pouco cínico dizer isso, mas a sociedade é uma gigantesca conspiração para fazer você se sentir mal a respeito de si mesmo. A propaganda faz você se sentir mal para fazê-lo comprar coisas das quais não precisa, os políticos fazem você se sentir incapaz para fazê-lo imaginar que depende deles para salvá-lo, mesmo seus amigos podem fazê-lo duvidar de si mesmo, ainda que inconscientemente, para ganhar alguma vantagem.
Você pode ter todos os recursos e o conhecimento do mundo, mas nada vai adiantar se você não se sentir empodeirado (empowered) para usá-los. É como ter uma Ferrari sem ter carta de motorista para dirigi-la!
Valorizar a si mesmo é sentir que você é bom o bastante para ter uma opinião, uma voz e que suas contribuições são importantes. É sua habilidade de ser independente e de não precisar de outra pessoa ou de uma instituição para sentir-se bem, autônomo e capaz de tomar as decisões necessárias para viver sua própria vida, do seu jeito.

Lição 10. Como dar sentido para a vida
Viver uma vida cheia de significado é, na verdade, uma combinação de várias coisas. Depende, é claro, de sua dedicação a um propósito ou a um objetivo. Mas também depende de sua capacidade de apreciar o "aqui e agora". E, finalmente, depende de você se dar conta de que seu lugar no mundo, seu significado, é alguma coisa que você mesmo precisa contruir.
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(*) Especialista canadense em educação e e-learning. Ele criou um blog especialmente dedicado para discutir as coisas que as escolas não ensinam e que são, na verdade, fundamentais.
Cepec- Centro de Estudos Politicos Econômicos e Culturais